No artigo de hoje trato de um assunto bem interessante: o som. Em nosso dia a dia nem percebemos, na maior parte do tempo, a presença de todo esse universo sonoro ruidoso e musical que nos cerca, mas ele nos influencia psíquica e fisicamente, inclusive, por vezes, gerando ou alimentando problemas graves de saúde. Assim como os sons musicais e ambientes tranquilos têm o poder de curar, sons ruidosos e ambientes barulhentos têm o poder de causar belos estragos.

Não precisa ser um gênio para perceber que a música (e o som de modo geral) causa impacto direto no ouvinte. Neste sentido, ela, que não é o elemento mais presente no nosso dia a dia, assume duas qualidades distintas; uma delas mais subjetiva, que é a arte em si, e a outra totalmente física e concreta, já que só existe por meio do som e este é um elemento físico.  Estas duas qualidades combinadas provocam em cada ouvinte sensações e emoções diferentes, e o som, quando muito intenso (“volume alto”), causa uma espécie de perturbação física em nosso corpo que pode ser sentida por vários minutos após a exposição. Citarei alguns exemplos e logo tudo ficará bem claro.

Fig. 1 - Onda Senoidal.jpg

Provavelmente o leitor já esteve em algum show musical de grandes proporções. Mas caso ainda não teve tal experiência, relato a minha própria: “após 90 minutos de exposição àquela intensidade sonora, à distância de 20 metros, meu corpo parecia ter passado por uma sessão intensa de massagem”. Sem considerar o aspecto artístico da música, as únicas coisas que restam são o som (a vibração das ondas sonoras) e o deslocamento da massa de ar, que te atingem diretamente e inegavelmente mexem até com suas entranhas.

Mas esta é só uma das características do som. Na música, para provocar certas sensações e induzir o ouvinte a percorrer o caminho que o compositor deseja, existem muitos recursos. Um deles, de certa forma muito simples, é mudar um pouco o padrão de afinação do instrumento. Uma pequena mudança neste padrão de afinação de um piano ou o violão, por exemplo, já causa uma grande diferença na “cor” dos sons produzidos e por consequência no efeito causado nos ouvintes. Diz-se que Mozart utilizava normalmente uma afinação mais aguda do que a tradicional, o que conferia à sua música um som muito mais brilhante e vivo. Este recurso, relativamente sutil, em geral não é percebido conscientemente pelo ouvinte; mas está ali e também está sendo processado pelo cérebro.

Juntando o aspecto físico do som com a própria arte, a música se transforma, de fato, em algo de grande poder de influência sobre nós. Ouvir uma canção calma, nos tranquiliza; ouvir uma melancólica nos induz à melancolia; se você está calmo não conseguirá ouvir música agitada, e por aí vai. A música e o som têm grande poder de mudar seu humor, seu ânimo e até mesmo os rumos de sua vida, já que provocam e alimentam muitos sentimentos dentro de você. Não os subestime.

Ruído

White_noise.png

De maneira simplificada, é todo som que não seja um som musical, ou melhor, que não tenha o espectro de uma onda senoidal. O som da impressora, dos carros, das máquinas trabalhando, etc, etc, etc são todos sons ruidosos que nos incomodam diariamente e nem sequer recebem alguma culpa por isso. Em metrópoles como São Paulo, por exemplo, o ruído, além dos danos irreparáveis que causa aos ouvidos, é ainda um enorme gerador de stress e, por consequência, de uma série de outros males. Distúrbios do sono, mudanças no humor e doenças de pele podem ser citados como alguns exemplos de problemas causados pelo stress. Já o ruído e os sons intensos não têm piedade: eles destroem permanentemente sua capacidade de ouvir (não preciso mencionar que nosso aparelho auditivo é muito frágil). Se você observar a figura do espectro sonoro do ruído, verá que ele é naturalmente e absolutamente diferente da onda senoidal que caracteriza um som musical; e o próprio desenho da onda sonora sugere algo áspero e agressivo.

Portanto, proteja-se, cuide de seus ouvidos e mantenha limpo o ambiente sonoro do seu escritório, casa ou quarto de descanso, pois isto lhe trará muitos benefícios. Isto vale para todos, principalmente para os músicos. E quando alguma terapia for necessária, utilize a música como principal remédio, ela tem o poder! Digo tudo isso por experiência própria.

o formulário foi
enviado com sucesso

matrícula para aula
ballet clássico