Em época de Natal, o universo cristão se prepara espiritualmente para as comemorações desta data tão especial. Tradicionalmente, e com o intuito de reunir a família, costuma-se servir banquetes, trocar presentes e, em meio a tanta festa, são entoadas as seculares canções natalinas tão conhecidas por todos nós. São vários os temas, mas Noite feliz e Jingle Bells creio serem os mais populares. Para o artigo de hoje, trago uma breve história destes dois temas tradicionais.
“Noite feliz, noite feliz. Ó Senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus nosso bem. Dorme em paz ó Jesus. Dorme em paz ó Jesus”. Não sei o motivo, mas a letra e a melodia desta canção me soam melancólicas. Noite Feliz é o tema de Natal mais conhecido no mundo e possui mais de 300 traduções. A letra foi escrita originalmente em língua alemã, no ano de 1816, por um padre chamado Joseph Mohr, ajudante da Igreja de St. Nikolaus em Arndorf, em Salzburg, Áustria. O título da canção era “Stille Nacht, Heilige Nacht” (Noite Calma, Noite Santa). Em 1818, para as comemorações natalinas da época, o padre Franz Xaver Gruber criou a famosa melodia e então a canção foi apresentada para o público local, acompanhada somente por um violão (nas igrejas, normalmente as músicas eram executadas em órgãos).
A música saiu da pequena vila austríaca em 1832, quando um mestre de órgãos, ao tocá-la em Leipzig em meio a outras músicas tirolesas, percebeu o quanto tal tema em especial agradava os ouvintes. A partir deste momento a canção ganhou a Alemanha e a Europa, em geral, entre andarilhos; os compositores foram esquecidos e ela ganhou, na Alemanha, o status de volkslied, ou seja, de música popular.
Foi o rei Frederico Guilherme IV da Prússia (da qual grande parte da Alemanha fazia parte) que, encantado com a melodia, foi atrás da sua história e encontrou, em 1854, o ainda vivo padre Franz Xaver Gruber, que tinha a versão original manuscrita. Após quase 200 anos, essa canção ainda resiste…e vai longe! No retrato, a face do padre que compôs a famosa melodia que todos já cantamos ao menos uma vez na vida.
Jingle Bells (“Tilintar de Sinos”) que originalmente chamava-se “The One Horse Open Sleigh” (algo como “O Trenó Aberto de Um Cavalo Só”), é outro tema musical que frequentemente ouvimos em época natalina; seja alguém cantado a variação cômica da letra, que o leitor já ouviu, já cantou e deu muitas risadas (não vou escrevê-la aqui, pois todos sabem do quê estou falando!), seja como fundo musical de alguma propaganda relacionada e, inclusive, daquelas intermináveis esperas telefônicas. O tema foi composto por James Lord Pierpont no ano de 1850, em Massachusetts, EUA, inspirado pelas corridas de trenó sobre a neve das quais ele mesmo participava. Foi publicada pela primeira vez em 1857 e, em 1859, republicada com o título que conhecemos até hoje.
Desde o ano de sua publicação, muitos artistas e conjuntos norte-americanos renomados como Benny Goodman, Glenn Miller Orchestra e Bing Crosby and the Andrews Sisters gravaram o tema, mas a versão de Bing Crosby feita em 1943, foi a que popularizou a canção como um dos temas de inverno mais populares dos EUA. Até hoje esta versão é a mais tocada por lá.
Como se tornou um tema de época natalina não se sabe exatamente, sempre são várias suposições, mas é o tipo de coisa que começa e perdura sem qualquer explicação mais precisa. Alguém em cima de um trenó aberto puxado por animais, deslizando sobre a neve em clima de alegria, não lhe traz à mente uma cena em particular? É a cara do Natal que sempre tivemos em mente e, portanto, não muito longe de ser associada à ele. Segue o refrão original e uma tradução aproximada: “Jingle bells, Jingle bells/ Jingle all the way/ Oh! What joy it is to ride/ In a one horse open sleigh.” (Tilintar de sinos, tilintar de sinos/ Tilintar por todo o caminho/ Oh! Que alegria é correr/ Em um trenó de um cavalo só).
Há também outra canção bem conhecida, escrita pelo músico brasileiro Marcus Vianna, chamada Bate o Sino, que é uma pequena variação de Jingle Bells, mas que, assim como Noite Feliz, já nasce com a singeleza natural do espírito natalino cristão. Todos provaram serem mais fortes que o tempo e que as barreiras geográficas ou culturais. É o poder da música e nada a mais.
