Trilhas Sonoras

Quem já não se emocionou vendo algum filme dramático ou nunca ficou empolgado assistindo cenas de ação e aventura? Quem não tem na memória a música tema de algum filme de sucesso? Alguém aí já assistiu desenho animado mudo? Bom, não preciso de muitas palavras mais para dizer qual a importância da música para a sétima arte. Filmes, desenhos animados, séries de TV, novelas, propagandas (e etc) seriam realmente diferentes sem as magníficas trilhas sonoras que muitas vezes as acompanham, ou seja, muitos desses exemplos não se tornariam tão impactantes e inesquecíveis. Música e cinema são como carne e osso, tão conectados e íntimos quanto dois amantes podem ser; são coias que se completam.

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As trilhas sonoras exercem papel fundamental no cinema e na produção audiovisual em geral: procuram transmitir e provocar sensações e sentimentos, com o intuito de induzir o espectador a sentir, de forma mais profunda e viva, o que a imagem quer passar. Inicialmente, quando os irmãos Lumière inventaram a película e logo depois na época do cinema mudo, não havia maneira de captar o som e sincronizá-lo com as imagens, então a trilha sonora era executada ao vivo, por um pianista ou uma orquestra, no salão onde o filme estava sendo exibido; os músicos assistiam ao filme e interpretavam as cenas em tempo real. Em 1926 a música deixou de ser executada ao vivo em virtude do surgimento de uma nova tecnologia, o Vitaphone (aparelho que incluía um projetor e um toca discos funcionando em sincronia ao filme). Logo o Vitaphone foi substituído pelo Movietone, da empresa Fox, que possibilitava o registro dos diálogos e dos sons no próprio celuloide, paralelamente às imagens; é nessa época que nasce o termo trilha sonora. O marco do cinema sonoro é considerado “O Cantor de Jazz”.

Os processos utilizados para sincronizar a música com as imagens são variados, sendo que um deles consiste em executar a música enquanto se assiste ao filme, simultaneamente, mas ao contrário da época do cinema mudo, “com mil facilidades” de captação, manipulação e arquivamento dos sons. Tal processo continua sendo utilizado até hoje, mas obviamente perdendo espaço para as novas tecnologias que estão sempre se desenvolvendo e que também reduzem muito os custos das produções. Outro bom exemplo de produção audiovisual, que utilizava esse método de sincronização, são os desenhos animados que muitos de nós assistimos na infância. Em sua maioria produzidos por Walt Disney, praticamente todos eles eram recheados de excelentes trilhas sonoras, grande parte delas sendo executadas por big bands de alto nível. Em desenhos animados, porém, diferentemente de filmes, os sons são mais para afirmar ou reforçar a ação que ocorre na imagem do que para provocar sentimentos, sendo assim mais onomatopeicos do que propriamente temas musicais. Há inclusive episódios que incluem os próprios personagens executando temas musicais famosos, por exemplo, Pernalonga (e Pica-Pau) cantando “O Barbeiro de Sevilha”, Mickey Mouse regendo “A Cavalgada das Valquírias”, Tom & Jerry executando a “Rapsódia Húngara” ao piano e por aí vai. Bons exemplos de trilhas sonoras de altíssima qualidade que atualmente não são mais inseridas nos desenhos. Coitadas das crianças de que hoje em dia precisam se contentar com Teletubies & Cia.

A música erudita era o gênero musical que geralmente acompanhava os filmes. Mas ao longo do tempo percebeu-se que melodias familiares podiam ser prejudiciais ao próprio filme, pois chamavam demais a atenção para si. Então, nas décadas de 20 e 30, alguns compositores começaram a ser importados das salas de concerto a fim de criarem trilhas sonoras originais para a indústria cinematográfica emergente. Em sua grande maioria, essas trilhas não eram escritas por nomes conhecidos da música; eram sim criações de um novo tipo de artista, o compositor de cinema. Maximilian Raoul Steiner foi o primeiro músico a criar regularmente música para o cinema e acabou estabelecendo métodos e estilo que prevaleceram por muito tempo. A primeira trilha sonora a causar grande repercussão foi a de King Kong (1933), composta por Steiner, e geralmente é considerada como o marco inicial da história das trilhas, pois nunca o impacto de um filme havia estado tão relacionado com sua música instrumental original. John Williams também foi um dos grandes talentos que a música de cinema produziu e também o grande responsável pelo renascimento da trilha sinfônica, em filmes como Guerra nas Estrelas (1977).

Em produções audiovisuais, a música assume um papel fundamental: conduz (e induz) o espectador pelos caminhos que o autor quiser ou precisar. Ela é a verdadeira responsável por provocar toda a química que ocorre no seu cérebro e que repercute no seu corpo: tensão harmônica para gerar suspense, ritmos fortes e marcantes em cenas de batalhas, ritmos rápidos em cenas de ação e fuga, tonalidades menores em cenas tristes ou dramáticas, são alguns dos recursos que o compositor utiliza para induzir ou provocar no espectador as sensações que lhe convier. E a música é tão poderosa nesse sentido, que é possível gerar um ar cômico em uma cena extremamente triste ou o oposto disso, um ar triste e melancólico no meio de uma cena de humor.

Trilhas sonoras são parte imprescindível na formação da identidade das produções cinematográficas; e não fazem só com que os filmes se tornem inesquecíveis, mas marcam também, com vivacidade, as cenas das nossas próprias vidas.

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